quinta-feira, 1 de março de 2012

Republicando um post: entrevista com a escritora Stella Florence

Quem acompanha o blog há mais tempo sabe que em 12 de março de 2010 eu entrevistei a escritora Stella Florence.

Com a "reforma" do blog, meses atrás, acabei tirando do ar o post . Algo imperdoável.

É por isso que estou republicando aqui. Stella é deliciosa escritora contemporânea e relê-la, em todos os sentidos, nunca é demais. Na época a entrevista teve como eixo o universo feminino, moda, beleza e afins (que foi o foco do blog durante um tempo).

Stella Florence é escritora e formada em Letras. Escreveu durante um tempo no portal feminino iTodas e publicou deliciosos livros como: "Hoje acordei gorda", "O diabo que te carregue", "Ele me trocou por uma porca chauvinista", "Por que os homens não cortam as unhas dos pés", "32" e, recente "Os indecentes". Se você já ficou interessado na autora só por conta dos títulos dos livros (ao menos foi por causa disso que eu a conheci e a li pela primeira vez) clique aqui e irá direto para seu blog, onde terá acesso a outros textos da autora.
A autora é injustamente comparada à safra de escritoras modernas que produzem obras como 'Sex and the city', 'Bridget Jones' ou 'Melancia'. Não que estes sejam livros ruins, também fui leitora deles. Mas podem esperar muito mais de Stella, suas personagens são maiores, mais vivas e sua escrita é exponencialmente melhor.

Já é a segunda entrevista que Stella me cede por email. A primeira, em 2008, tinha um caráter totalmente literário e era voltada para um público muito querido por mim: meus alunos. Esta que você está prestes a ler é leve e fala de maquiagens e afins.
Eu me calo, para deixar essa mulher inteligente, divertida, bonita e que admiro para caramba, falar um pouquinho conosco!


1. Antes de fazer a primeira pergunta, vou antecipar um mea culpa para me sentir mais a vontade: o rótulo de mulher inteligente a incomoda?
Quando eu levo um fora por causa disso, incomoda. E eu já levei muitos. Certamente as burras são mais felizes (porque são mais inconscientes e submissas) e eu ainda não encontrei boas razões para continuar alimentando a inteligência através da leitura a não ser o prazer que isso me traz.

2 - Você se considera uma consumista da beleza?
Sou uma consumidora bastante modesta de produtos de beleza.

3 - Há uma personagem sua em "Hoje acordei gorda" que copia a maquiagem da modelo da revista de moda. Você faz o mesmo?
Não tenho esse talento.

4 - Ser uma escritora que se expõe e se entrega como você nos livros já é uma maneira de sair de cara lavada de casa. Mas literalmente falando, você prefere ser natural ou não abre mão de uma maquiagem?
Eu só me maquio – pouco – quando vou a entrevistas, palestras ou preciso fazer alguma foto. Ou quando saio com um homem, claro. Mas não me vanglorio disso: eu tenho uma pele muito boa, se não tivesse certamente usaria mais produtos.

5 - O que não pode faltar na sua necessaire?
Protetor labial, filtro solar e fio dental.

6 - Como avalia esse culto feminino à beleza e todo essa aura de consumismo que nos cerca?
O consumismo desenfreado que nos cerca é, ao mesmo tempo, o sustentáculo financeiro da sociedade e a nossa ruína. Mas vejo uma ânsia (ainda embrionária) de um retorno a uma vida mais simples. De outro lado, o consumismo se tornou um vício a que muitos se entregam tentando ocultar de si mesmos suas frustrações e ódios. Ou seja, a questão é ampla e complexa.
Quanto ao culto à beleza, ele existe desde que o mundo é mundo, mas a proporção que ele toma hoje é preocupante. Por exemplo, ainda se espera do homem poder e dinheiro e da mulher juventude e beleza. Olhe para os telejornais, qualquer um. O que você vê? Uma mulher bonita e jovem (ou se cuidando para continuar a parecer jovem) e um homem com todos os traços da maturidade gozando de charme e prestígio. Mulheres não têm direito de envelhecer a céu aberto na nossa sociedade.

7 - Concorda com a velha frase de que "beleza é fundamental"?
Com Vinícius de Moraes, concordo: “Que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental”. Mas a beleza é um conceito extremamente elástico, não pertence de modo algum às revistas de moda.

8 - Qual o produto de beleza que você considera a maior invenção da humanidade?
O hidratante com filtro solar.

9 - E qual considera mais inútil?
O que é inútil para mim certamente não é para outra mulher.

10 - Tem alguma marca preferida? Se considera consumidora de algum tipo de produto sem o qual não aceita ficar sem?
Há anos eu uso sempre os mesmos produtos (até por preguiça): Vasenol no corpo e Cronos no rosto.

11 - Suas personagens usam maquiagem? (risos)
A maquiagem se torna relevante apenas se serve à história: um rímel borrado pelo choro, por exemplo, já se tornou uma imagem clássica da tristeza e do abandono.

12 - Você se considera feminina ou feminista?
Qualquer movimento coeso – político, filosófico, religioso – amarra as suas pernas e braços. Portanto não me declaro feminista.
Já em relação a ideia “feminina” ela te encarcera num protótipo suave, doce, submisso, compreensivo, acolhedor. Eu também sou isso – mas não sou só isso.
Portanto, eu diria apenas que me considero mulher.

13 - Sua última personagem tem 32 tatuagens, você 30. O que representa a tatuagem para você?
Na época em que eu as fiz, há 5 anos, foi uma espécie de transformação, de troca de pele, como uma cobra. Eu escolhi apenas textos porque gosto da palavra impressa, mesmo que seja na pele.

14 - Depois de seu último livro, o "32" (que adoro) já tem algo guardado debaixo da manga que possa dividir conosco?
Em julho sai mais um romance meu pela editora Rocco cujo título é “Só saio daqui magra!”. Embora ele seja focado no público adolescente (especialmente nas meninas que se acham gordas quando não são) estou certa de que todas as mulheres irão adorar! Trata-se dos 32 dias que Camila passa num spa e tudo o que acontece com todos que estão lá dentro: carências, medos, escândalos, vícios, corações partidos, segredos, e muito mais. Vale dizer que todos os dramas que aparecem no livro são reais: eu mesma os colhi ao longo de várias estadias em spas.

Eu gostei de reler a entrevista. A gente acaba se relendo também (hoje, dois anos depois, não faria as mesmas perguntas... rs).


Os livros da Stella são publicados pela Editora Rocco. Clicando aqui você tem a lista dos títulos e os preços sugeridos pela editora.

Mas me digam, quem aí conhece Stella? O que já leu dela? Gostou?

4 comentários:

Ana . disse...

eu gosto da Stella, li "Hoje acordei gorda" é uma chick-lit made in Brazil, ela escreve de um jeito bem descontraído e engraçado.

Raquel Toledo disse...

Oi Ju! Não conheço nada dessa autora e confesso que os títulos não me interessaram muito... mas como vc tem super bom gosto, acho que vou apostar.
É muito chick-lit?

Beijos!

Bib's disse...

Eu não conhecia... Adorei os títulos dos livros dela!

Juliana, o prêmio do sorteio chegou! EU fiz um post no blog sobre o presentão! Queria te convidar para ler. Especialmente porque cito vc e seu blog. Se vc não gostar de alguma parte, me avise que eu retiro, ok?!

Muito obrigada!
Beijos

http://www.queridodiariodabibs.blogspot.com/

Stella Florence disse...

Juliana, querida: você faria outras perguntas e eu certamente daria outras respostas (menos arrogantes, rs). Graças a Deus, a gente melhora com o tempo! Beijos! ;)
http://stella-florence.blogspot.com/