sábado, 31 de dezembro de 2011

Opa

ainda dá tempo de desejar

FELIZ ANO NOVO

seus lindos e suas lindas!

=*

"Precisamos falar sobre o Kevin" de Lionel Shriver [leitura de férias #4]

Enquanto lia o livro, tentava arrumar as bolas
para a festinha familiar de ano novo!
Mas estava um pouco difícil fazer as
duas coisas ao mesmo tempo. rs
Qual foi mesmo o mote do meu post sobre o último livro que li? 
Eu falava algo sobre crianças horripilantes e o medo que eu tenho delas, certo?

Pois é. Quando eu achava que crianças de livros antigos poderiam ser o máximo de terror que a literatura iria me oferecer - destacando aí que o terror parte do paranormal - eis que Lionel Shriver disseca uma criança muito real, real até demais. Provando que meu medo era pintinho perto do que ela tinha para mostrar neste livro FASCINANTE!

Acho que eu nunca li um livro de tantas páginas (463) em tão pouco tempo (menos de dois dias, para ser bem exata). Claro que o fato de estar de férias, ter todo o tempo do mundo para ler e ter me tornado uma filha autista (as tentativas em vão de meus pais de me tirar de casa e da leitura comprovam isso) ajudaram bastante para avançar na leitura.

Mas quem disse que eu conseguia ou queria parar?
Hoje, quando percebi que corria o risco de passar a virada do ano lendo, já que passara a virada da noite de ontem fazendo isso, adiantei a leitura o máximo que pude. Acrescente a isso ficar sem fazer absolutamente nada no que foi o último dia do ano.

Eu devo dizer que ao lado de "Pequena Abelha" este livro ganhou o espaço de uma das leituras mas fantásticas que fiz neste ano e, quiça, nestes últimos anos... A linguagem é linda - embora linda seja a palavra mais estranha para me referir a qualquer coisa que esteja relacionada ao livro. A escritora narra de um jeito tão verossímil que eu me peguei várias vezes tentando ter certeza de que era realmente uma história ficcional. E ao terminar, dei graças a Deus por ser, pois terminei a leitura tão chocada, esgotada e pesada, que se ela tivesse partido de algo factual, eu teria me esgotado - e isso não seria nada agradável no último dia do ano.

Quando estava nas última páginas, em sua última carta para o marido (o livro é todo escrito em forma de cartas), cheguei a achar que estava queimando em febre (sensação que só desfrutei durante a leitura de "Crime e Castigo" onze anos atrás, nesta mesma época do ano). E a julgar o número de vezes que meu pai colocou a mão em minha testa nesta hora (eu estava deitado no sofá, ao lado dele, sorvendo as últimas páginas, enquanto ele tentava travar um diálogo sobre a São Silvestre que se iniciava na TV) eu devia mesmo era estar com a temperatura corporal um pouco fora do padrão.

Farei um pequeno spoiller a partir de agora, portanto, continue a leitura por sua conta e risco, sim?

********

Durante as 100 primeiras páginas Kevin é só mais um menino chato. Daqueles que corroboram a escolha de não ter filhos, comum a muitas mulheres modernas como eu. Porém, a medida que as páginas vão se avançando, Kevin vai se tornando o retrato de tudo o que não esperamos de uma criança e isso é mais assustador do que dois irmãos tomados por espíritos do mal - como acontece no conto de Henry James. Adolescente, Kevin instiga mais medo do que aquela menina acamada que roda o pescoço em 360 graus e cospe sopa de ervilha.
Já Celia é a personificação de tudo o que esperei de uma criança. Ao passo que a autora colocou-me numa grande enrascada: passei metade do livro reafirmando minha opção por não ter filhos e a outra metade repensando essa escolha já que "ter uma criança como Celia seria uma benção de Deus".
(A passagem em que Eva entrega uma torrada para ela e diz algo como: "é para você comer e não fazer amizade com ela" prova o quanto a menina é o retrato da delicadeza em forma de criança... Dá vontade de pedir pra Deus descer meia dúzia dessa que eu encaro!)

O equilíbrio certeiro para que Eva e Franklin sobrevivam ao caos de suas vidas. Suas porque Eva, embora na mesma casa, leva uma vida completamente diferente do marido. E sortudos somos nós, leitores, de poder acompanhar essa vida através de seus olhos, anos depois.

*******

Fim do pequeno spoiller.

Nunca imaginei que fosse dizer isso mas quero ver o filme. Quero ver os mesmos personagens no cinema. Não que queira ver toda a minha imaginação estraga numa possível seleção de atores que irá, provavelmente, me decepcionar. Mas porque fiquei tão envolvida com a história que a leve ideia de um afastamento é dilaceradora. Saber que há um filme em vias de estrear acalma essa alma sedenta de boas histórias. Mesmo sabendo que lá, no telão, ela não será tão boa assim.

Shriver, querida, você pode falar do sexo das formigas em um livro de 1300 páginas que já me terá como leitora certa.


Para meu azar e para minha sorte eu terminei de ler o livro hoje, último dia do ano. Meu azar porque o livro e pesado e estou, infelizmente, pesada demais ainda para todo aquele clima de "que venha 2012!" 
Já, para minha sorte, devo confessar que é muito bom encerrar um ano com mais uma daquelas boas leituras que valem uma vida!

As férias, em poucas fotos

Cuidando da pele como nunca...


comprando livros como sempre...


lendo como louca...


e tentando conectar como gente! =)



E pronta para abraçar o novo ano! 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

"A outra volta do parafuso" de Henry James [leitura de férias #3]

Eu teria terminado de ler o livro na madrugada de terça para quarta se eu não tivesse ficado com tanto medo do livro. Tanto medo que parei a leitura na metade e peguei outro livro da pilha - porque a madrugada avançava e eu estava completamente sem sono. E precisava apagar da minha mente todo aquele clima tenso de A outra volta do parafuso do Henry James.

Afinal, com toda aquela história de suspense em minha mente eu não ia conseguir dormir nunca e ainda corria o risco de sonhar com parte da história.

Sonhar com a história que estou lendo é o que acontece com mais frequência quando durmo após ler um livro. A melhor lembrança que tenho é quando dormi enquanto lia O primo Basílio do Eça de Queirós. Mas isso fica para outro dia.

O fato é que esse livro do Henry James é para ser lido em um fôlego, não merece pausas. Mas se você sofre de medos noturnos como eu, leia durante o dia ou ao menos em boa companhia - não em seu apartamento de praia quando qualquer barulho é estranho pra você.

Estou com preguiça de procurar na internet se foi este o livro que deu origem à história daquele filme da Nicole Kidman, Os Outros. Mas a julgar a quantidade de vezes em que eu me peguei pensando na película enquanto avançava na obra, é bem provável que sim.

O livro é bom. Seu início arrasta um pouco por conta da escrita do James que é uma escrita dos mil e oitocentos e bolinhas e para tanto tem lá suas qualidades e seus percalços. Mais qualidades que percalços, devo dizer. Não reclamaria da tradução da minha edição: Clássicos Abril Coleções (capa linda) porque também não conheço o original. Por isso não posso falar que é uma tradução impecável - embora esteja com vontade de fazê-lo.

O que mais me irritou durante a leitura - e se alguém aí já o leu, diga-me se sofreu do mesmo mal - é que vi a personagem principal tomando atitudes tão questionáveis que me peguei em vários momentos mais revoltada com ela do que com medo de verdade.

Mas as crianças do livro, ai ai... Apenas corroboram aquela péssima impressão que literatura e o cinema insistem em criar em pessoas como eu: crianças podem ser assustadoras!

Algumas outras coisas que não entendi e estou com preguiça de pesquisar (o que é vergonhoso assumir em pleno século do google):

- qual a diferença de A volta do parafuso para A outra volta do parafuso? Porque, se bem me lembro, já vi os dois nomes para o livro.
Seria apenas um problema de tradução?

- e afinal, que raios significa esse título?

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estes posts estão sendo feitos durante minhas férias com a pior conexão de internet que existe na face da terra... sem possibilidades de tirar fotos bonitinhas dos livros para ilustrar os pots a não ser usar o que a internet oferece... relevem, perdoem e boas férias pra vocês!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

"Dormindo com o inimigo" de Hal Vaughan [leitura das férias #2]

Durante anos eu desejei o Chanel nº 5 de minha mãe. Mas seu perfume era tão caro quanto proibido. Foi só em 2009 que comprei um vidro pra mim. Lembro que não quis nem sentir o cheiro, o vidro já era objeto de desejo. E comprei o maior vidro, porque não queria correr o risco de ficar sem, durante o uso.
Quandro abri a embalagem e borrifei o perfume tive uma decepção tão grande quanto grande tinha sido a espera por ele. Não usei o perfume mais do que duas vezes e, a julgar o tempo de validade de um perfume aberto, meu grande vidro de Chanel já perdeu todo o seu valor.
Assim como perdeu todo o valor a personagem que esteve por trás dele por todos estes anos. Coco Chanel era minha diva até conhecer sua biografia na obra Dormindo com o inimigo – a guerra secreta de Coco Chanel de Hal Vaughan e publicada este ano, pela Companhia das Letras.

A leitura é tão interessante como a vida da estilista. Assim como o legado de Coco é imenso, imensa é sua vida de aventuras numa França atormentada pela invasão alemã.

E Hitler parece contornar a história das grandes personalidades do século passado, infelizmente. Clarice Lispector, por exemplo, só veio para o Brasil porque seus pais estavam fugindo dos progons e todo aquele ataque desumano que era feito contra os judeus instalados na Rússia. Consta que Guimarães Rosa, outro grande escritor brasileiro, ajudou várias famílias de judeus facilitando sua entrada e fuga para o Brasil.
Como não se tocar com a história de Clarice ou respeitar ainda mais a magnanimidade de Rosa?

Claro que vida e obra não podem se misturar quando falamos apenas de literatura. Ou moda. Mas não consigo mais olhar para meu batom Chanel (divino, diga-se de passagem) sem lembrar das passagens que descobri durante a leitura do livro. Chanel era, de acordo com seu biógrafo, antissemita e, apesar de um lesbianismo não revelado, não suportava gays. Seu império foi construído do nada, é verdade. Mas paralelo a um evidente dom dessa mulher tão singular em sua época, há histórias indecorosas de seu envolvimento com grandes homens casados. Que a enchiam de presentes e muito, muito prestígio.

Chanel ficou do lado dos alemães quando a França foi invadida por Hitler e enquanto idosos morriam em suas casas de fome e frio, esse ícone da moda jantava no Ritz Hotel ao lado de grandes e horríveis homens que marcaram a história do nazismo.

Claro que há passagens graciosas sobre sua vida no livro. Mas só consigo lembrar das que me chocaram ao descobrir que essa grande mulher não era, na verdade, tão grande assim...

Se ela deixou um legado irretocável para um universo que me fascina e se sua marca do C invertido é hoje símbolo de poder isso pouco vai me importar a partir de agora. Na verdade, cada vez que olhar para qualquer produto que carregar seu nome só vou conseguir pensar na suástica nazista.

O livro, enfim, é ótimo. Li de um dia para o outro num fôlego de quem via um mito se desconstruir...

domingo, 25 de dezembro de 2011

"A louca da casa" de Rosa Montero [leitura das férias # 1]

Um escritor falando sobre o ofício da escrita sempre foi tema que me fascinou. Mas não é qualquer escritor que consegue falar sobre o tema sem parecer chato, didático ou prolixo.

Talvez por isso tenha começado a ler o livro de Rosa Montero com a sofreguidão dos que reconhecem que tem em mãos obra singular, e tenha desenvolvido com o livro algo que não me é, de maneira alguma habitual. Explico. Li os dois primeiros capítulos sem respirar e quando ia avançar no terceiro, retornei ao primeiro e li tudo novamente.

Já no primeiro capítulo Rosa dialoga comigo como nunca escritor memorialista havia dialogado até então: ela assume que sua memória é péssima e que nunca entendeu escritores que conseguem recuperar lembranças da infância com a exatidão dos que acabaram de viver o acontecido. 
Até ler estas páginas do livro sentia-ma isolada num universo de pessoas que recordam de tudo quase como se fossem Funes, o memorioso (personagem de Borges culpado por metade das minhas angústias e invejas). Ouvir as lembranças detalhadas das infâncias dos outros, sejam eles escritores ou mortais - como eu - só reforçava em mim a tristeza de lembrar tão pouco da minha infância, adolescência ou passado. De modo que em forma de chiste defendo-me dizendo que minha memória é seletiva, e seleciona nada para guardar.

Por isso resisto a Proust e sua madeleines insuportáveis assumindo que não li e não lerei Em busca do tempo perdido. Se não dou conta do meu tempo perdido, por que iria interessar-me pelo dele? Sim, parte disso é inveja por saber-me incapaz de evocar reminiscências a partir de um estúpido bolinho.

Ter Rosa Montero como parceira reforçou ainda mais minha simpatia pela obra que foi lida em 24 horas, embora o que eu quisesse mesmo fazer era deixar o livro de castigo, para retardar o máximo possível seu fim. Dos livros bons, queremos é que demorem mesmo para acabar.

Entre reflexões sobre a vida, histórias factuais sobre escritores famosos (ela cita Carson McCullers e detém aí todo o meu amor) e fofocas sobre comportamento de grandes homens (Tolstói era, enfim, um grande idiota) Rosa disserta o tempo inteiro sobre imaginação, criação e amor pela leitura e pelos livros. Há, também, é claro, momentos em que a autora narra passagens da sua própria vida. Mas isto só para não nos deixar esquecer que seu livro é ficção, antes de ser qualquer outra coisa.

Oficialmente "A louca da casa" (título fantástico mas que não irei explicar porque ela o faz melhor do que eu conseguiria) foi minha primeira leitura de férias. Leitura anunciada neste vídeo aqui que apresenta as leituras que pretendo fazer.

Começar com um livro excelente é uma faca de dois gumes. A princípio dá ânimo e abastece meu já latente apetite por livros nas férias. Em contrapartida, deixa para os outros livros a árdua tarefa de não serem menos do que bons.


*

"De maneira que nós inventamos nossas lembranças, o que é o mesmo que dizer que inventamos a nós mesmos, porque nossa identidade reside na memória, no relato da nossa biografia." [p. 12]

"Não se pode ser puro sendo humano..." [p. 52]

"A literatura é um caminho de conhecimento que precisamos percorrer carregados de perguntas, não de respostas..." [p. 53]

"É o que digo, a gente sempre duvida se o que faz tem algum sentido. Daí decorre em grande medida a nossa fragilidade." [p. 102]

"Vai ver que a gente não tem cabeça suficiente para ser ao mesmo tempo memoriosa e fantasiosa. A louca da casa, inquilina prendada, limpa os salões de lembrança para ficar mais à vontade." [p. 193]


sábado, 24 de dezembro de 2011

A lucidez perigosa

Dessas festas de final de ano, minha preferida sempre será o Ano Novo.
A ideia de poder zerar um calendário e dar conta de tudo de novo é o que acalma nossas almas cansadas do trabalho, da rotina e da vida. Ainda que o ano tenha sido bom (e espero, sinceramente, que o 2011 de vocês tenha sido assim), poder começar de novo e acertar de primeira ou errar diferente, é sempre agradável.

O Natal sempre me criou conflitos. Meu lado cristão se desafina com o consumista e eu não sei se compro presentes desaforadamente ou rezo agradecendo por tudo e pedindo paz. (Claro que as duas coisas são possíveis e no final das contas é sempre o que acabo fazendo, mas escolher as duas é para mim um sinal de que ainda não me sinto capacitada a escolher nenhuma. Aguardo ainda o que chamo de amadurecimento natalino, quando enfim me sentirei completamente religiosa ou me entregarei em paz às compras).

E porque o espírito efêmero e mágico da época também me atinge acabo me agarrando aos sinais externos, televisivos, acidentais. Houve um ano em que assisti ao filme Dançando na chuva minutos antes da virada e acreditei ser um aviso de que deveria encarar a vida com mais leveza e poesia. É provável que eu tenha sido tão influenciada pelo filme a ponto de assoviar cantigas ao menor sinal de chuva.
No ano passado foi um espetáculo infantil de Adriana Calcanhoto que me inspirou. De modo que meu 2011 foi coroado com uma quixotesca tentativa de rir de tudo e criar poemas concretos.
São poucos os dias que antecedem o ano novo e um mês de janeiro branco e limpo me espera. Mas acho que o sinal místico e mítico já se apontou e dessa vez foi pesado. Fui presenteada com o fantástico documentário sobre Estamira, a louca lúcida que vivia na extrema pobreza e trabalhava num lixão. Tudo no passado mesmo porque essa mulher morreu ano passado e o documentário aborda vários anos na vida dela. Incluindo aí, alguns natais. No Natal de 2001, por exemplo, Estamira estava no lixão ao lado de outras pessoas que só podiam mesmo estar desconectadas para sobreviver naquelas condições. Deus, vida, existência, imaginação, eu não sabia mais se a louca era ela que não falava de nada falando de tudo, ou eu que via poesia e verdade no que ela falava. Estamira é quase espelho porque nos reflete o que somos por dentro e não queremos ver. Sua loucura agressiva nada mais é do que a nossa quando não somos compreendidos pelos outros ou por nós mesmos. 

Há passagens clássicas no documentário, representativas da loucura, quando ela percebendo-se incompreendida começa a gritar e gesticular, como se fosse capaz de ferir quem imbuído de coragem se aproximasse dela naqueles minutos. Em outras Estamira faz o que na Inquisição seria motivo suficiente para queimá-la na fogueira ao escolher, na mesma frase, expressões como caralho, Deus e cu. Inclusive, sobre Deus, ela tem opiniões tão desconfortáveis que nos pegamos pedindo perdão, por ela e por nós. (Mas meu Deus, quem não diria as mesmas coisas vivendo naquelas condições? Não julguemos porque, nessas horas, o melhor mesmo é silenciar).

Por algum motivo, cansaço talvez, o documentário lembrou-me Clarice Lispector o tempo inteiro. Mais precisamente uma crônica publicada por ela em 5 de fevereiro de 1972 e reproduzida no livro "A descoberta do mundo", página 403 (Editora Rocco, 1999) que aqui reproduzo: 

A lucidez perigosa
Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo  matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois  estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço. Além do que: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes. Pois sei que - em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade - essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém. 


O processo de escrita é fascinante. Comecei esse texto com o humilde desejo de desejar-lhes Bom Natal (havia escolhido imagem ilustrativa linda que reproduzirei abaixo para não perder a pesquisa e não falhar no intuito natalino). O que era para ter sido um convite para a reflexão de todos vocês, incluindo aí uma frase de efeito que pretendia usar: "o Natal acontece, de verdade, é dentro de nós", acabou se transformando numa reflexão pessoal e solitária. E no meio do caminho textual cheguei a desejar maturidade para saber escolher melhor, nos meus natais, entre os presentes ou as preces. E eis que antes mesmo do Natal chegar de verdade, percebo que fiz minha escolha. 

Rezei. Rezei por mim, por nós, por Estamira, através de Clarice. E como presente de Natal pedi a Deus aquilo que não podemos, infelizmente, comprar. Pedi a Ele que nos permita saber consistir, enfim, e amém. 

Feliz Natal, para todos vocês. E que 2012 seja um ano consistente! =)


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

lugares lindos

Um tempo atrás eu coloquei aqui a foto de um cantinho de leitura lindo.
Hoje, procurando informações sobre um livro em espanhol, pelo qual me apaixonei e que se tornou minha mais nova obsessão, acabei descobrindo um site cujas blogueiras falam de moda e literatura.

Claro que passei horas passeando por ele. Mas o que mais me chamou a atenção foi a biblioteca de uma delas.

Apreciem e me digam se também não acham esse cantinho para lá de paradisíaco!!!







domingo, 18 de dezembro de 2011

Desafio Literário 2012

Eu sou uma pessoa tão instável que só de pensar na ideia de um desafio que dure um ano inteirinho me dá agonia!

E seu eu ficar sem tempo? E se eu achar chato? E se eu esquecer? Eu vou poder usar meu livre arbítrio e simplesmente parar? Falhar? Pular fora dessa barco virtual e deixar todo mundo lá, enquanto eu serei a desistente?

Não sei. Vai que em abril eu faça um post falando: parei. Ou vai que em novembro eu faça um assumindo: consegui?

A vida, meu bem, é tão instável quanto eu. De modo que agora, neste exato momento, eu digo que vou participar do Desafio Literário de 2012, mas já avisando que darei-me o direito de desparticipar a qualquer momento que me der vontade na caixola. =)

Confesso que quase não fiz parte porque, ademais a obrigação, não achei a lista muito a minha cara. E eu já tenho tanta coisa que quero ler que me obrigar a ler outras já desanima.

Mas ontem, quando vi que o prazo havia esgotado, bateu aquele arrependimento, sabem? Então, estou aproveitando a prorrogação e inserindo-me no grupo. Grupo cheio de gente boa:


(e se eu esqueci alguém, avisaí!)

Eis, portanto, minha lista:

Janeiro

Literatura Gastronômica – mês dedicado ao sabor da leitura. Afinal, leitura sem gosto não tem a menor graça. Em razão disso, propomos um tema leve, divertido e saboroso; sejam em forma de crônicas, poesias, romances, diários, biografia, memórias e demais gêneros que versem sobre a temática da comida.  ATENÇÃO:Livros contendo apenas receitas não valem.

Papel manteiga para embrulhar segredos: cartas culinárias - Cristiane Lisboa
Chocolate - Joanne Harris

Fevereiro

Nome Próprio (de pessoas) – existem personagens cujo imenso carisma  ganha logo destaque na capa de um livro.  E a regra do mês é essa: só vale livros cujo título seja um nome próprio – e apenas ele -, exemplo: Quincas Borba, Benjamin, Emma. Vai ser divertido e muito fácil caçar títulos do tipo; seja na estante de casa, de uma livraria ou de uma biblioteca.  ATENÇÃO: apenas nome próprio de pessoas!

Orlando - Virgínia Woolf
Mrs. Dalloway - Virgínia Woolf

(já comecei duas vezes, mas nunca consegui terminar. ótima desculpa para vencê-los! está na hora!!!)

Março

Serial Killer – O tema é autoexplicativo, mas para não dar margem às dúvidas, vamos lá: Literatura Policial em que há a combinação de (policiais/detetives), investigação e, claro, homicídios seriados.

Eu mato - Giorgio Faletti

Abril

Escritor(a) oriental – que tal explorar a terra do Sol nascente e demais países do Extremo Oriente e do sul da Ásia? Entram em cena os escritores chineses, japoneses, indianos, coreanos, etc…

(não tenho ideia. vou pedir ajuda pra minha amiga real, vou pedir ajuda pro moço daquela livraria pequena de quem tanto falo nos livros. vou pedir ajuda pra deos, porque olha, vai ser difícil... não curto nada nada este tipo de literatura....)


Maio

Fatos Históricos – Esse mês será destinado à leitura de romances cuja trama apresente acontecimentos que marcaram a história nacional ou mundial. Frisando, apenas romances. Não valem livros de História Geral, nem biografias.

Memorial do convento - José Saramago
(eu sabia que esse dia ia chegar)

Junho

Viagem no Tempo – romances que abordem a ida de viajantes do  tempo para o passado  ou futuro. Se eles voltam ou não, só a história dirá. Em tempo: Livros científicos ficam de fora.

O fim da eternidade - Isac Asimov
(com agradecimentos eternos à Luara e Gabriela)

Julho

Prêmio Jabuti - Esse é o prêmio mais importante do cenário brasileiro. E conta com 29 categorias, mas para fins do Desafio Literário valem apenas as categorias Livro do ano e Romance, de qualquer uma das 53 edições da referida premiação de leitura. Para abrir mais o leque de opções: além das obras ganhadoras, é permitida a leitura das obras indicadas ao prêmio. Clique no link e pesquise http://www.cbl.org.br/jabuti/telas/edicoes-anteriores/

Os venenos de Lucrécia - Sônia Coutinho

(ok. eu conto como escolhi. foi assim: eu não tinha ideia do que colocaria nesse mês, entrei no link, fui no ano em que nasci e escolhi o livro premiado na categoria contos. veremos se vou me arrepender dentro de alguns meses.)

Agosto

Terror - O tema impõe a regra: tem que ser história que mete medo. Pode ser suspense psicológico ou sobrenatural, isto é, valem tanto as histórais com personagens sobrenaturais (vampiro, zumbi, bruxas, lobisomem…) como as narrativas com personagens humanos.

A volta do parafuso - Henry James
(já comprei. só falta ler)

Setembro

Mitologia universal – Romances, poesias, contos que abordem mitos e lendas de culturas distintas (brasileira, Greco-romana, céltica, indiana, mexicana, nórdica, etc…).  É um universo de opções!!! Mas até que Setembro chegue, há um bom tempo para a pesquisa e aquisição. É mandar ver.

Não tenho a mínima ideia, nem de leve, nem sombra de.
É o mês do meu aniversário, tenho imunidade? Posso mudar esse tema horrível????
Aceito sugestões!

Outubro

Graphic Novel – Vamos nos divertir mais! Para quem não sabe, Graphic Novel é um romance gráfico com enredos longos e complexos no formato de história em quadrinhos. ATENÇÃO: não valem gibis, aqueles de periodicidade mensal.

Vou procurar alguma adaptação de clássicos. Adorei a desculpa para voltar na livraria em que comprei todos os Macanudos. Lá só tem isso. =D


Novembro

Escritor(a) africano - que tal ler um autor nascido na grande mãe África? Pegue o mapa e monte o seu roteiro literário pelo continente africano.

Cotoco - John Van de Ruitt
(eu ia ler de qualquer jeito, só precisava de uma desculpa. rs)

Dezembro

Poesia -  A correria típica do mês pede descanso, especialmente, para a alma. Vamos de lavar a alma com poesia! De qualquer forma e jeito, valem Haicais, acrósticos, épicos,  cânticos, elegias…, em outras palavras, pesquise, pesquise, pesquise!)

Eu vou tentar achar algum livro da WISLAWA SZYMBORSKA que tenha sido, preferencialmente, traduzido pela Ana Cristina Cesar.
Dezembro né? Terei tempo!




Pronto. Dever de casa feito. Que venha janeiro!