quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Este é um post apaixonado

Eu sou uma pessoa que lê.
E até quando não sabia decifrar signos ainda, quando nem mesmo meu nome eu era capaz de soletrar, eu já lia. Lia os lábios de meus pais que a noite contavam histórias para me fazer dormir. Embora nunca tenham conseguido realmente despertar o meu sono. Afinal, quem conseguiria dormir com um mundo de histórias se desdobrando à sua frente?

E eu sou leitora fiel. Das possibilidades várias de livros que podia escolher, sempre pedia os mesmos e já os sabia de cor. A verdade é que no final, eu contava as histórias junto com meus pais. Não tinha quatro anos e já amava ler, embora com olhos emprestados.

Aprendi a ler e aprendi o caminho das bibliotecas. Tive sorte por ter estudado em escolas ricas de livros. Passava os recreios escolhendo quais levaria para casa. Lembro-me que um aluno só poderia levar três livros por vez. A bibliotecária, sabendo-me leitora voraz e pessoa correta, deixava que eu levasse quantos quisesse. Afinal, escolhia pelo título. Quem poderia garantir se a história seria boa? Não tinha dez anos e já exercia meu direito inalienável de leitora: ler e parar de ler caso a história não me conquistasse. 

Eu não me importava em passar os recreios longe das pessoas. Eu tinha a minha multidão dentro dos livros.

Foi no primeiro ano da faculdade de Letras que aprendi que livros são um perigo latente para as contas bancárias. E foi também neste primeiro ano que meu pai assentou para conversar sério comigo, pela primeira vez.
Entre "minha filha você não pode gastar todo o seu dinheiro com livros" e "você precisa pensar no dia de amanhã", meu pai e eu percebemos que esta seria a nossa sina. O sinal de que eu nascera para os livros e os livros nasceram para mim. 


Eu já preferi livros a namorados. Eu já larguei namorados por causa de livros. Já perdi amigo para não perder o livro. Já ganhei amigos por amar demais os livros. Fiquei sem dinheiro, mas não fiquei sem livros. Já deixei de dormir na minha própria cama porque ela estava repleta de livros. Já paguei excesso de bagagem por causa dos livros. Já precisei comprar outra mala para carregar os livros.

Meu maior sonho é ter um cômodo da casa em que as paredes sumam por trás de livros. E não há objeto que me dê mais prazer, acalanto, afago e alegria do que um livro.

Eu cheiro livro novo. Eu gosto de passar as mãos pelas páginas ainda não lidas como se estivesse acarinhando-as e eu abraço o livro quando o compro.

E talvez eu tenha falado pouco do meu amor por eles neste mais de um ano de blog porque achava que as pessoas não compreenderiam este amor. Mas hoje percebo que há um mundo de amantes de livros espalhados pela internet e que sou muito sortuda por ter leitores assim.

Nada me faz mais feliz do que poder falar de livros. Não é a toa que me tornei professora de Literatura.
(Se meus patrões soubessem o quanto eu amo isso, não me pagariam para trabalhar!)

Então, agora vocês vão entender o quanto eu bati palminhas e dei pulinhos de alegria ao receber este livro aqui em casa:


Eu já falei dele no vídeo "Livros sobre livros" que fiz para o blog e está neste link, no meu canal do youtube. Lá você pode ver as páginas - e como são graciosas - e a qualidade da obra.
Esta obra apresenta frases de diversos autores - incluindo Clarice Lispector - sobre o amor (e o desamor também) pelos livros. É edição para dar de presente, para si e para os outros.


Amanhã ele entrará em novo post aqui no blog. A editora Novo Conceito enviou uma edição para as leitoras e os leitores do batom de Clarice.


Eu estou mega feliz por ter sido agraciada com essa parceria. E super encantada com o perfil da editora e o carinho que ela tem com os blogs e comigo.


Este é um post de agradecimento, também.
A editora (como disse a querida @AlineAimee) me adotou. E eu não poderia estar mais extasiada do que estou agora.


Amar livros me completa como pessoa.
Ter parceria com uma editora me completa como blogueira.


"Ler completa os homens." 
(Francis Bacon)


PS: Se você ainda não está participando do sorteio do livro "Não sou este tipo de garota", clique aqui!


;)


*

"Tenho sonhado às vezes que, quando chegar o Dia do Juízo e os grandes conquistadores, advogados e estadistas forem receber suas recompensas - suas coroas, lauréis, nomes gravados indelevelmente em mármore imperecível - , o Todo Poderoso irá se voltar para Pedro e dirá, não sem certa inveja quando nos vir chegando com nossos livros embaixo do braço: 


'Veja, esses não precisam de recompensa. Não temos nada para lhes dar. Eles amaram a leitura ' "

Virgínia Woolf

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Nós que não somos como as outras

Na semana passada eu recebi dois livros da Editora Novo Conceito.
Um havia sido pré selecionado por mim e o outro foi enviado por ser lançamento.


O primeiro apareceu no vídeo de Livros sobre Livros que coloquei no meu canal do youtube. Para quem não assistiu ainda, o link é esse. Mas logo farei uma resenha dele aqui também.

Já o outro, foi uma grande surpresa.

A embalagem é linda, ele veio com um marcador super fofo e ainda uma cartela de roupinhas para colocar na bonequinha do marcador. Um mimo e tanto.




Não sou este tipo de garota Autora: Siobhan Vivian Ano: 2011 249 páginas Preço sugerido pela editora: R$24,90 Editora Novo Conceito

Mas quando vi o título do livro eu desesperei!
Não sou esse tipo de garota.

Sim. Eu pensei: mas eu também não sou esse tipo de garota que lê esse tipo de livro!

Sim, eu tenho quase 32 anos nas costas, gente. E o livro é feito para adolescentes de 16 anos, mais ou menos. Sem contar que, ah meu deus, eu tenho tanto livro na fila de espera para ler... tanta coisa que estava esperando o doutorado "terminar" para que eu pudesse descansar as ideias, sabem? Por que cargas d´água eu ia pegar um livro adolescente que, para piorar, tem esse título?

Já estava ensaiando um email para a editora, agradecendo o envio e explicando que, dadas as devidas circunstâncias, eu faria um sorteio dos dois no blog, porque eu não ia ler o meu, porque não ia ser legal ficar com ele parado aqui e mimimi.

Só que, dia desses, quando a novela Insensato Coração estava mais chata que programa com Eliana e Xuxa juntas, resolvi passar os olhos pelo livro.

Bom, passei os olhos sim. Mas em página por página, devo dizer. E só consegui tirar os olhos quando terminei!

Pois bem, vamos lá.

A personagem principal do livro chama-se Natalie e ela está no último ano do colégio. Junto com sua melhor amiga formam o perfil mundial das garotas nerds e esnobadas pelos populares.
Para sua surpresa, Natalie venceu as eleições para presidência do conselho estudantil. A história gira em torno de algumas situações:
a crise que enfrenta com sua melhor amiga
as responsabilidades que precisa administrar por ser presidente do conselho
um namoro escondido com o atleta do colégio
e as descobertas que faz sobre si mesma e, principalmente, sobre ser mulher.

Ao que parece o livro não tem nada a acrescentar para uma pessoa de 32 anos. E, para ser exata, não tem mesmo. Afinal, muitas coisas que acontecem no livro já foram vivenciadas por mim, muitos anos atrás.

E talvez por isso eu tenha achado-o tão interessante e divertido. Pois durante a leitura acabei relembrando de uma série de coisas que vivi aos 16 anos... Minha época de ensino médio voltou com força à memória e foi gostoso perceber o quanto eu fui boba e esperta, em várias situações. Minha geração está longe de ter a liberdade e as conquistas dessa, mas é gostoso perceber que no fundo somos todas iguais, sendo tão diferentes.

Eu fui Natalie em tanta coisa! E talvez meus 16 anos tivessem sido um pouco mais leves se eu tivesse lido livros como esse, naquela época. 

Mas o que mais gostei na obra - e foi quando o livro me ganhou de vez - é que a professora da personagem, em dado momento da história entrega alguns livros para ela ler. E adivinhem que tipo de literatura é?

Feminista!

Eu dei pulinhos de alegria quando li essa parte. Achei uma delícia! E invejei a Natalie, por ter uma professora como essas. Teria sido muito legal receber o mesmo tipo de instrução literária feminista aos 16 anos! 
(Eu só fui descobrir o feminismo, sozinha, por volta dos 20 anos).

E uma das cenas mais legais da obra é quando Natalie aparece numa festa à fantasia vestida de Amélia Eahart (autora e defensora dos direitos das mulheres e pioneira na aviação dos Estados Unidos).

Foi gostoso ler sobre a condição feminina a partir da percepção de uma adolescente que precisa discernir entre o que é certo e o que a sociedade considera como errado.

O livro possui algumas falhas. Só não sei mais dizer se elas são presentes porque eu já não sei mais colocar de lado um olhar impregnado de crítica literária e de literatura hermética.
Assim, achei que a autora poderia ter explorado mais a história no sentido de não deixar alguns temas mal colocados. Por exemplo, Natalie é uma adolescente estudiosa, caseira, inteligentíssima e super independente. Mas do nada, no meio do livro, ela se envolve com um dos atletas do colégio. E a partir daí a história toma outro caminho.
Não que eu veja algum problema nisso. Só acho que a autora poderia ter desenvolvido mais esta parte para que a relação entre os dois ficasse mais digerível dentro da história.

Ah, acho que estou deixando a professora de literatura falar do livro. Mas como disse, já não consigo separar meus olhares literários.

O fato é que o livro é bom e eu gostaria muito, muito mesmo, de tê-lo lido aos 16 anos de idade! 


Mais informações sobre a obra, basta clicar aqui.
Bom, como eu disse no início do post, a editora enviou duas edições. O que significa que a outra é para sortear para as leitoras do blog!
E sendo o livro de leitura tão gostosa, confesso que estou doida para dividir com mais alguém esta leitura!


Assim, fiquem de olho, pois o sorteio entrará no ar em breve!


Mas e vocês, meninas, que tipo de garotas vocês não são?