Sobre o dia de hoje

08 março, 2015
Constatei, não sem surpresa, que não sou mulher representada na televisão.
Não me pareço com as mocinhas das novelas, repletas de condições , restrições e perfeições. Tão pouco me aproximo das vilãs que no alto de seu poder e resistência, sucumbem ao erro somente quando não há mais forças. Tenho cá minhas condições também, mas estou longe de ser perfeita, amável ou afável. E me dobro ao erro com muito mais frequência do que gostaria.

Nunca me vi representada em reality show, a despeito de se apresentarem como promessa de representação da vida real. Não sou tola ou vil, ordinariamente burra ou diariamente sensual, como as muitas mulheres que já desfilaram pelos programas que se prometiam fieis. Não acordo maquiada, não bebo até desmaiar, não me jogo em cima do primeiro sinal de virilidade, não confabulo tramas e não me apoio em meus dramas. Sequer admito a hipótese de me comprometer a qualquer caricatura de mim.
Eu rio das apresentadoras de jornais e suas repórteres impecáveis. Não tenho sua inteligência neutra ou sua linguagem formal. Meu cabelo se despenteia ao primeiro sinal de vento e meu sorriso se perde na correnteza do dia. 
Ainda que tentasse, jamais me aproximaria dos corpos das mulheres dos programas de humor. Ainda que tentassem, jamais me submeteria à humilhação que cedem essas mesmas mulheres dos programas de humor.

Não sei cozinhar de maneira impecável como as apresentadoras dos programas de culinária, não sou magra como as que passam nos diversos comerciais. Você jamais me verá sorrindo porque consegui tirar a mancha de uma roupa ou levitando pelas ruas da cidade em plena tensão menstrual. Não conquisto homens apenas com o alcance de meu perfume e não me dobro aos lindos carros que passam por mim. Não dou gargalhadas em mesas de bar, não faço guerrinha de travesseiro com as amigas, não abraço crianças antes de me deitar e nunca nenhum biquíni cabe perfeitamente em mim.
Tenho calos nos pés. Minhas unhas quebram dia sim, dia não. Minhas olheiras tornaram-se parte de minha feição e são o que melhor informam de mim. Luto contra o cabelo branco, luto contra o machismo, luto contra a diária resistência da sociedade para compreender que não caibo em rótulos e lutos.
Não amo demais. Não depositei no casamento todas as fichas dos meus anos. Não programei filhos e não os excluo também. Os programas de beleza não foram feitos para mim: não tenho tempo ou dinheiro para acompanhar a última moda. Não sei me maquiar como as atrizes quando estão fora da televisão.
Também não estou nas revistas femininas. Sequer sou capaz de ser aprovada em seus testes. A moda das lojas não foi feita pra mim. As leis ainda não me representam. Não queimo bandeiras ou me alio às guerreiras.
Há mulheres demais e são todas iguais. Iguais na representação que propõem. Iguais na encenação que reverberam. Não sou.
E o que sou nunca coube e nem cabe no que a sociedade espera, espelha, estende, entende de mim. Há muito mais mulher em mim do que neste ou em outro dia qualquer. 
Não se iluda. Sou muito mais do que uma data e muito mais do que apenas uma mulher.

Métodos de estudo e organização

28 janeiro, 2015
Na internet nada se perde, tudo se transforma. Com essa máxima quero dizer que muito do que vou ensinar aqui, aprendi nos sites, canais, nas reportagens, nos documentários que vi e li por aí. Se faltar fonte, sobra falha de memória desta que vos escreve. A verdade é que a técnica que hoje utilizo em nada tem de original, e muito deve ao quebra cabeças que fui construindo ao longo dos anos e, sobretudo, da necessidade.

Passo no computador a maior parte do meu tempo de trabalho em casa. Diria que 80% da minha produção é via teclado. E nada teria a reclamar não fosse a difícil arte de driblar os desvios que a internet oferece. Muitas vezes estou lendo um texto de orientanda e, quando menos espero, me vejo abrindo mil distrações nos navegadores. Também faço revisão de texto - o que considero mais desgastante... Nesse caso, a vontade de fugir e navegar triplica. 

Antes de descobrir esse método que vou descrever aqui, meu tempo ia pelo ralo. Consequentemente, minha capacidade de concentração e minha produtividade se reduziam a pó.

A princípio achei que não fosse me adaptar as ideias que fui encontrando e que com o tempo acabaria cedendo a outras formas de procrastinação. Porém, confesso que essa tem dado muito certo e não pretendo mudá-la tão cedo.


Minha técnica é simples. Tenho um texto para revisar? Ou uma produção de orientando para analisar? Defino quantas e quais serão as prioridades do dia, estipulo quantas horas seguidas tenho para me dedicar a atividade e:

1. Tiro o Theo do escritório. Sim. A primeira regra é tirar de perto toda e qualquer forma de distração. Ele é fofo, ele é o passarinho mais lindo do mundo, mas precisamos de limite, ele e eu. Ele não aceita ficar na gaiola e não adianta colocá-lo no parquinho. Ele quer ficar comigo. E por comigo quero dizer: subindo no teclado para se enfiar entre meus dedos e pedir cafuné (estou ouvindo ownnn?), subir no meu ombro e tentar dormir enroscado nos meus cabelos... Eu me torno um parque de diversão e, paralelo a isso, o tempo com que consigo me dedicar ao trabalho torna-se reduzido e cansativo (ambos nos estressamos porque ambos não correspondemos às expectativas... rs). Então, se tenho que me dedicar a alguma leitura séria e que demandará esforço, atenção e tempo, o Theo e sua gaiola vão direto para outro cômodo do apartamento.

2. Abasteço uma garrafa com água bem gelada e deixo ao meu lado. Porque a desculpa para levantar e ir para a cozinha é sempre a melhor desculpa. Não deixo comidinhas ao lado porque estipulo o tempo de descanso para beliscar alguma coisa. É mais light e não desvia a atenção. (Eu tinha o péssimo hábito de trazer lautos banquetes para o computador. Comer enquanto produzo não é a melhor ideia, em nenhum sentido).

3. Deixo o celular recarregando no quarto. Longe, bem longe de mim. Um dos meus piores vícios é atualizar o instagram o dia inteiro. Se o celular fica a meu lado no computador, acabo desviando a atenção - sem perceber - e quando vejo, estou comentando em fotos, tirando fotos... Além disso, deixar o celular longe é uma forma de estabelecer para você, e para o mundo, que o momento é importante e não admite interrupções.

4. Programo meu super timer de cozinha de coruja para 50 minutos. Esse é o meu tempo limite para manter a atenção em uma única atividade. Mais do que isso, meu cérebro fica disperso e eu fico cansada. Não adianta ir com muita sede ao pote e estipular duas horas para a mesma tarefa. É humano, é moderno: dificilmente conseguimos! (Leia A geração superficial do Nicholas Carr e me entenderá. Ou assista ao vídeo em que resenho o livro, clicando aqui). O meu timer faz tic tac, mas já me acostumei. Mas você pode colocar um relógio de mesa, ou um app no celular (embora eu ache que o celular por perto não é uma boa ideia).

5. Depois de 50 minutos eu tiro um tempo para descanso. Não estipulo o tempo exato porque já posso me dar ao luxo de fazer meus horários. Assim, esse tempo pode ser de dez minutos - para um lanche - ou de uma hora - para um episódio de seriado no Netflix (deitada na cama... evito descansar na frente do computador...). Enfim, esse tempo de pausa vai depender da demanda de atividades, dos prazos e, sobretudo, do que cada um considera como descanso. Tem dia que eu preciso de três horas de descanso - porque minha mente está esgotada. Tem dia que a pausa de dez minutos é mais do que suficiente. 

Eu sigo uma rotina, mas não a torno militar, como podem ver...
Cada um pode adaptar estes métodos ao que julgar mais interessante. Na internet há mil dicas sobre o assunto. Acho que o importante é fazer um pequeno estudo sobre isso e escolher as dicas que melhor respondem às suas necessidades.

Busque Técnica Pomodoro no Youtube e irá encontral mil ideias.
Mas de todas as dicas virtuais a que melhor reúne as melhores técnicas é essa aqui. Foi indicação de uma leitora do blog, lá na fanpage, e eu serei eternamente agradecida =)

E vocês, alguma dica boa para dividir comigo?


Você quer ler tudo o que tem ou quer ter todos os livros que quer ler?

25 janeiro, 2015
Confesso que demorei mais pra criar o título desse post, do que o post propriamente dito. É que nenhuma frase soava interessante e resumia decentemente a ideia que quero discutir com vocês.

Nos últimos anos, sobretudo por conta da minha inserção no YouTube, tenho buscado todo tipo de desculpa para justificar minha compra desenfreada de livros. Comprei o livro porque:
"Preciso muito", "está barato", "não consigo sair daqui sem ele", "quando vi já tinha comprado", "juro que vou ler logo", "não vou conseguir respirar se não tiver", "vai acabar se eu não levar agora", "estava procurando há muitos anos", "a edição está linda", "a capa é linda", "preciso para poder trabalhar", "preciso para estudar", "comi bolo hoje"...

Todo tipo de justificativa, da mais séria a mais ridícula, já foi utilizada para explicar o inexplicável: eu compro livros porque eu gosto, porque eu gosto eu compro livros. É simples demais e sinto que cada vez que tento explicar, acabo por tornar o simples, complicado.

Porém, para piorar o status da situação, de uns tempos para cá tenho sentido peso de consciência ao perceber que compro vinte livros na proporção em que leio dois. 

E quando vejo amigas próximas se regulando nas compras ou leio textos sobre ser mais comedido nos gastos, meu peso de consciência se eleva a graus infinitos. Eis que discutindo o assunto "cazamigas" (Pati e Tati, como sempre) comecei a entrar em parafuso ao perceber que talvez nunca consiga dar conta de ler tudo o que tenho. (Culpa da Tati, sempre culta da Tati...).

Pois bem. Tive um momento epifânico e cheguei a conclusão que dá título ao post. Concluí que eu não pretendo (embora queira) ler todos os livros que tenho. Até porque o conceito de ter aqui está sempre em evolução (e o que tenho hoje é infinitamente menor do que terei daqui a um ano, por exemplo). Logo, ao sair da epifania, perdoei-me por meus impulsos descontrolados e aceitei que não, muito provavelmente, eu não conseguirei ler tudo o que tenho antes de morrer.

Porém, aceito, com a resignação dos santos, que eu quero, e muito, ter tudo o que pretendo ler. Ou seja, eu quero ter o prazer de acordar daqui a um mês com uma vontade absurda de ler um determinado livro e em seguida erguer os braços em direção à minha estante para pegar o livro. Simples assim. Ter o prazer de saber que tudo o que quero ler um dia (que não sei quando) está ao alcance de minhas mãos.

E foi então que epifanicamente passei por um momento de confissão e absolvição de todos os meus pecados literários.

Terei sim, muitos livros... mais livros do que devo ter, mais livros do que consigo ler, mas terei livros! ;)